Texto curto: Quanto tempo você já perdeu?
Atualmente, é inegável que as pessoas estão cada vez mais isoladas e indispostas para interações sociais, tanto no mundo real quanto no virtual.
Muito frequentes até então em qualquer comunidade ou grupo de conhecidos, aquelas conversas casuais, as confraternizações espontâneas, aquelas visitas inesperadas e até aqueles desabafos sobre as angústias do presente— que, para todos, não são poucas — parecem ter perdido seu lugar no cotidiano.
A causa desse afastamento parece residir na atração avassaladora exercida pelo conteúdo incessante das redes sociais. E claro, um certo alienamento.
Não se trata de buscar novidades, mas de saciar uma inquietação sem nome que só cresce à medida que a tela permanece diante dos olhos. Vídeos engraçados, curiosos ou inusitados tornam qualquer outra coisa — até interações humanas — desinteressante e incômoda.
Um estorvo.
Interromper alguém em seu ato de deslizar continuamente imagens e vídeos aleatórios de sua tela não é apenas uma mera interrupção; é o prenúncio de pelo menos um pequeno conflito. Esse universo virtual vem logrando terreno num combate furtivo contra as interações humanas espontâneas através de estímulos rápidos, superficiais, constantes e monopolizadores. Aliás, foram especialmente projetados com essas funções.
Mesmo estruturas bem-intencionadas de socialização virtual, como grupos de debate ou fóruns, cada vez falham mais em cumprir suas finalidades essenciais: engajamento em debates, socialização e compartilhamento de informações. Desde os tempos do Orkut — e que a história o mantenha lá — essas comunidades frequentemente se mostraram mais uma vitrine de gostos pessoais do que espaços reais de interação. Apesar do fervor de alguns poucos heróis, esses grupos raramente geravam engajamento genuíno, servindo mais como rótulos do que como locais de convivência significativa.
A espontaneidade da interação humana parece ter se tornado um valor ultrapassado e cansativo, ofuscada por estímulos incessantes e individualistas. Talvez seja hora de refletirmos seriamente: estamos realmente nos socializando e trilhando uma vida com significado em meio aos nossos pares ou apenas tentando preencher o vazio existencial com distrações que, ironicamente, nos afastam ainda mais daquilo que realmente importa?


Comments
Post a Comment